Debate sobre saúde mental de militares tem barreiras culturais, diz especialista

Força, agilidade e valentia. Essas são algumas das características que formam o ideário de um profissional das forças de segurança. Mas, culturalmente, essas qualidades passaram a ser exigidas de militares a todo momento. Ou seja, adoecer não faz parte do ideal que se criou sobre um agente de segurança, especialmente dos homens.

Essa visão equivocada é ainda mais preocupante quando se trata de saúde mental. Para a especialista em Segurança Pública e professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Luziana Ramalho, o tabu historicamente criado sobre problemas psicológicos é um dos principais desafios na discussão sobre adoencimento mental entre as forças de segurança.

É urgente que se pense com mais cautela a qualidade de vida e trabalho desses profissionais. Porque eles são a ponta de lança de todo o controle estatal e, ao mesmo tempo, eles têm sido historicamente relegados a dois lugares ou ocupações no espaço-tempo: ou de serem super-heróis ou de serem responsabilizados por ações onde ocorrem falhas. E o Estado, a sociedade de um modo geral, esquece que eles fazem parte do mesmo pacto civilizador, humano.

Pensando nessa temática, o Portal T5 revelou com exclusividade dados sobre policiais militares afastados por problemas mentais na Paraíba. O relatório, obtido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), mostra que 133 agentes foram retirados das atividades entre 2019 e 2022 por diagnósticos de problemas psicológicos. Somente no ano passado foram 69 agentes dispensados, quase o triplo de servidores afastados em 2021.

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