Entenda como a capital paraibana se tornou João Pessoa e por quê nome pode mudar

Entenda como o nome da capital paraibana se tornou João Pessoa (Foto: Reprodução)

Um assunto polêmico voltou à tona nesta quinta-feira (23) com a repercussão de um pedido feito por um advogado ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Raoni Vita protocolou o pedido de um plebiscito acerca da mudança do nome da capital paraibana. A discussão já é bem histórica e reacendeu o debate entre os pessoenses.

Um movimento recente pela mudança do nome da capital foi encabeçado pelo ex-vereador Fuba. Ele também pedia a mudança da bandeira do estado da Paraíba. Tanto o nome da capital e a bandeira do estado como são hoje, são frutos daquele movimento de 1930, após a morte de João Pessoa,  que ascendeu Getúlio Vargas ao poder e foi uma espécie de estopim para a revolução de 30.

Depois de um estudo, o advogado percebeu na Constituição do Estado um plebicito seria prerrogativa para decidir o nome da cidade. O caso agora vai depender da Justiça Eleitoral, se acata ou não. Caso a justiça aceite essa ação, na próxima eleição municipal, além de escolhermos prefeito e vereador, provavelmente também iremos às urnas decidir se queremos que João Pessoa continue sendo João Pessoa ou se mude para outro nome.

O nome pregado no movimento lidera pelo ex-vereador Fuba seria o Parahyba, com H e Y, que era o nome que a cidade tinha antes daquele movimento de 1930, que o alterou para João Pessoa em uma sessão na Assembleia Legislativa da Paraíba.

A história da última mudança de nome em 1930

O paraibano João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque (1878-1930) foi um político que exerceu importantes cargos públicos no início do século XX, especialmente no estado da Paraíba. Ele é considerado uma das figuras mais importantes da política paraibana e brasileira do período.

João Pessoa nasceu em Umbuzeiro e estudou direito na cidade do Recife. Em 1904, iniciou sua carreira política como deputado estadual na Paraíba, onde se destacou por defender os interesses dos produtores de algodão do estado.

Em 1924, João Pessoa foi eleito governador da Paraíba, cargo que exerceu até 1928. Durante seu governo, ele promoveu importantes reformas sociais e econômicas, como a criação de escolas e hospitais públicos, a construção de estradas e a modernização do porto de Cabedelo.

Em 1929, João Pessoa foi escolhido para concorrer ao cargo de vice-presidente do Brasil na chapa encabeçada por Getúlio Vargas. No entanto, sua vida foi interrompida em julho de 1930, quando foi assassinado em Recife, em um crime que ficou conhecido como “O Crime da Praia de Boa Viagem”. Ele estava em uma cafeteria quando foi supreendido por João Dantas,q ue atirou contra ele. Sua morte foi um dos fatores que contribuíram para a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder e marcou o fim da chamada República Velha.

A morte de João Pessoa causou grande comoção, principalmente após o corpo do político passar por todas as capitais brasileiras antes de ser sepultado. Entre julho e outubro daquele 1930, à medida em que o corpo peregrinava para receber homenagens por conta da morte pretensamente política, seu nome ia batizando ruas, avenidas e praças pelo país, de acordo com o historiador e professor da UFCG José Luciano de Queiroz Aires, doutor em História pela UFPE e autor do livro “A Fabricação do Mito João Pessoa: Batalhas de Memórias na Paraíba (1930-1945)”.

Com a morte de João Pessoa, uma ação foi proposta durante sessão na Assembleia Legislativa da Paraíba. A ação pedia a mudança do nome da capital paraibana de Parahyba para João Pessoa. A proposta foi analisada e aprovada por unanimidade.

Para o historiador, a morte de João Pessoa contribuiu para criar uma narrativa de mártir e desencadear interesses políticos.

“A verdade é que João Dantas matou João Pessoa, mas, ao mesmo tempo, o transformou em um mártir, permitiu que se criasse um mito na figura do Governador da Paraíba na época. Esse fato histórico muda a História do Brasil. Ele germina o ‘getulismo’, não podemos subestimar como um crime passional, muito embora o estopim tenha sido”, explicou José Luciano .

Por Carlos Rocha

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